SÍNDROME DA QUEDA DE POSTURA (EGG DROP SYNDROME-EDS ’76)

FOTO EGG DROP SYNDROMEA síndrome da queda de postura caracteriza-se por notável diminuição na qualidade e produção dos ovos.

É causada pelo adenovírus BC14,127,identificado em 1976 na Irlanda do Norte.

Foi encontrado em galinhas na  Irlanda,Holanda,França,Inglaterra,Alemanha,Espanha,Peru,Brasil,Uruguai e Argentina.Não tem tratamento,apenas prevenção por vacinação,manejo e nutrição apropriados.

Na ocorrência de sintomas similares é necessário muito critério nas medidas adotadas,pois podem ser de origem infecciosa(NewCastle,Coriza,Marek) ou metabólica (Sindrome do Fígado Gordo (efeito de obesidade) e avitaminose B1 ocasionada pelo excesso de coccidianos,sendo o Amprolium largamente utilizado para tratamento da coccidiose).No caso,tratando de uma enfermidade abre-se caminho para outra.

No material disponível neste LINK pode-se avaliar os efeitos nocivos do uso indiscriminado de medicamentos.

 

 

COMPLETANDO 5 ANOS

ANALYTICS

 

 

 

 

NOSSA PLATAFORMA NA WEB ESTÁ COMPLETANDO 5 ANOS DE ATIVIDADE,NESTE PERÍODO FOI ACESSADA POR MILHARES DE INTERNAUTAS DE MAIS DE 100 PAÍSES O QUE DEMONSTRA QUE TEM SIDO DE UTILIDADE,TRATANDO-SE DE SITE SEM OBJETIVOS COMERCIAIS,NOSSA PRINCIPAL META É A DIVULGAÇÃO DA AVICULTURA COLONIAL,OU CAIPIRA,COM FUNDAMENTOS AGROECOLÓGICOS,ATIVIDADE ESTA EXERCIDA UNIVERSALMENTE.

TEMOS COMO PRINCÍPIO FUNDAMENTAL A CRIAÇÃO DE GALINHAS NAS MELHORES CONDIÇÕES POSSÍVEIS RELATIVAMENTE AO CONFORTO ANIMAL,RESPEITO A SUA NATUREZA COMO SERES VIVOS,ASSIM COMO AO MEIO AMBIENTE ONDE VIVEM.NA MEDIDA DO POSSÍVEL,PROCURAMOS COMPARTILHAR INFORMAÇÕES E EXPERIÊNCIAS RELATIVAS AO ASSUNTO,FRUTO DE PERMANENTE PESQUISA NOS MEIOS DISPONÍVEIS.

APESAR DE QUE OS PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA ESTA MODALIDADE DE CRIAÇÃO JÁ SEJAM AMPLAMENTE CONHECIDOS,EXPERIÊNCIAS,OPINIÕES E CONDIÇÕES PODEM SER DIVERSAS PARA SITUAÇÕES PECULIARES,MOTIVO PELO QUAL A TROCA DE INFORMAÇÕES É TÃO IMPORTANTE.

ASSIM,ESTAMOS HABILITANDO A OPÇÃO DE COMENTÁRIOS EM NOSSOS POSTS,LEMBRANDO QUE POR NÃO SE TRATAR DE SITE COM FINS COMERCIAIS,NÃO SERÃO ACOLHIDOS COMENTÁRIOS DE NATUREZA MERCANTIL , DE DIVULGAÇÃO COMERCIAL OU DE NATUREZA OFENSIVA.

PARTICIPE,EXPONHA SUA OPINIÃO E COMPARTILHE SUA EXPERIÊNCIA,SEJA BEM VINDO !

CONTINUA DISPONÍVEL O CONTATO DIRETO COM O ADMINISTRADOR VIA FORMULÁRIO DE CONTATO

 

 

 

 

DOENÇAS DAS AVES

MUITAS SÃO AS DOENÇAS QUE ACOMETEM AS AVES,ALGUMAS COM EFEITOS QUE SÓ SE OBSERVAM PELA DIMINUIÇÃO PRODUTIVA,DE LONGEVIDADE E DE DESENVOLVIMENTO DAS MESMAS,OUTRAS COM EFEITOS DEVASTADORES E SINTOMAS NOTÁVEIS,COM ACENTUADO ÍNDICE DE MORTALIDADE E TRANSMISSIBILIDADE DENTRO DO PLANTEL.

O IDEAL SERIA QUE TODOS PUDESSEM DISPOR DE UM VETERINÁRIO PARA ORIENTAÇÃO DE MEDIDAS PREVENTIVAS E SOLUÇÃO DE DESAFIOS DE CAMPO,COMO NEM SEMPRE ISTO É VIÁVEL TODO PEQUENO AVICULTOR DEVE PROCURAR O MAIOR NÚMERO DE INFORMAÇÃO DISPONÍVEL QUE POSSA AUXILIA-LO NESTAS CIRCUNSTÂNCIAS.

EMBORA NEM TODOS TENHAM O DOMÍNIO DO IDIOMA INGLÊS,DISPONIBILIZAMOS CLICANDO-SE NO LINK DAS IMAGENS,MATERIAIS QUE ACREDITAMOS QUE POSSAM SER DE GRANDE VALIA,VALENDO A PENA CONSEGUIR A TRADUÇÃO PARA OS MESMOS:

 

                   LINK                                                                                 LINK                                                                                                                                                                                                              

HANDBOOK

Picture_Book of infectious poultry diseases (onlinevetbooks.blogspot.com)

 

 

UM RECADO DAS GALINHAS

                              OVOS SÃO UMA DAS EMBALAGENS MAIS PERFEITAS QUE EXISTEM,PRESERVAM COM GRANDE EFICIÊNCIA SEU CONTEÚDO VIVO E QUE EM POUCAS SEMANAS SE TRANSFORMA EM UM NOVO SER COMPLETO,UM VERDADEIRO MILAGRE DA NATUREZA.

                              GALINHAS NÃO PODEM FALAR,MAS PELA QUALIDADE EXTERNA APARENTE DE SEUS OVOS,NOS MANDAM UM CLARO AVISO DE QUE ALGUMA COISA DE ERRADO PODE ESTAR ACONTECENDO COM ELAS.

                              NESTA CARTA DA ALLTECH,QUE PODE SER ACESSADA EM PDF,CLICANDO-SE  AQUI,PODEMOS VER QUE NEM TODOS OS PROBLEMAS SÃO DOENÇAS E MUITOS SÃO RELACIONADOS COM NUTRIÇÃO E MANEJO,OBSERVE-SE A GRANDE INCIDÊNCIA DE EFEITOS INDESEJÁVEIS QUE SÃO CAUSADOS PELO EXCESSO DE CÁLCIO NA NUTRIÇÃO E QUE PODERIAM FACILMENTE SER CONFUNDIDOS COM ALGUMA ENFERMIDADE.

ALLTECH

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VALE A PENA CONFERIR

MITOS NA AVICULTURA

LUAimages p    MITOS NA AVICULTURA
Muitos são os mitos e crendices relativos a avicultura,que são frutos de conceitos sem fundamentos passados de geração em geração,até passarem por verdadeiros até os tempos atuais,sendo que muitos ainda são refratários a desconsidera-los.
Transcrição textual de conteúdo da página 148 – CRIAÇÃO DE GALINHAS-J.REIS- (J.Reis-Ex chefe da Seção de Ornitopatologia e Diretor do Instituto Biológico de São Paulo) :
“Crendices.Com a incubação nada tem que ver nem as fazes da lua nem a orientação do ninho.Inúmeras práticas existem,baseadas no preparo dos ninhos,cujo fim consiste em fazer nascer ou machos ou fêmeas: são todas errôneas e desarrazoadas.Tambem é desarrazoada a crença de que só se deve deitar número ímpar de ovos.A forma dos ovos não influi no sexo dos pintos

PINTINHOS DEFEITUOSOS

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PINTINHOS DEFEITUOSOS
Quem trabalha com incubação de ovos algumas vezes se depara com resultados indesejáveis na eclosão,como pintinhos com dedos recurvados ,paralisia e baixa eclosão.
Várias podem ser as causas destes fatores,normalmente contaminação de ovos,de matrizes e má nutrição.Também se imputa responsabilidade a condições inadequadas de temperatura,umidade relativa e viragem dos ovos na incubadora.
Porém,um aspecto quase sempre passa desapercebido ao criador na investigação do insucesso: Deficiência de Riboflavina,também conhecida como Vitamina B2 e Vitamina G.
É interessante considerar o que afirmam Maynard e Loosli em sua obra NUTRIÇÃO ANIMAL (pag.246-2ªedição-1974):
“ Em 1929,Norris e equipe descreveram um tipo peculiar de paralisia das pernas em pintos que eles tinham como provocada pela carência de uma vitamina não identificada.A paralisia,constatou-se mais tarde,era o sintoma mais característico da carência de Riboflavina nesta espécie.Nota-se que os pintos começam a andar sobre as juntas das pernas,com os dedos dos pés curvados para dentro(“paralisia dos dedos retorcidos”).As pernas ficam paralisadas,mas as aves,sob outros aspectos,parecem normais.Diarréia é outro sintoma observável nos pintos.Com poedeiras a carência de Riboflavina provoca queda na produção de ovos e índices incubatórios baixos.”
Estudos científicos indicam que para poedeiras um mínimo de 4,0 mg de Vitamina B2 por K de alimento consumido supre plenamente suas necessidades.
Este é apenas um pequeno exemplo da importância de uma nutrição adequada em qualquer criação.

ALIMENTAÇÃO DE GALINHAS CAIPIRAS

O conteúdo desta matéria destina-se aos pequenos criadores de galinhas em sistema não confinado,seja para produção de ovos ou de pintinhos .

INTRUDUÇÃO:

Resultados positivos em avicultura estão condicionados aos seguintes fatores: GENÉTICA,MANEJO,SANIDADE,PRODUTIVIDADE, e por último, o mais importante,NUTRIÇÃO.A nutrição é o fator mais importante porque incide direta ou indiretamente nos outros.Sem nutrição adequada não há sanidade,longevidade,boa transmissão genética e produtividade,resumindo não há lucro.

Todos os trabalhos,manuais,cursos e literatura pertinentes a que já tivemos acesso,ressaltam a importância deste item,porem com raras exceções ,abordam o assunto como um capítulo ou tópico,não entrando nos detalhes indispensáveis desta matéria.Invariávelmente orientam o criador a consultar um técnico especializado na área,como se estes profissionais se encontrassem disponíveis a qualquer um e com honorários acessíveis ao pequeno criador.O que tentaremos aqui,sempre pautados em fontes técnicas de conhecimento,é disponibilizar uma metodologia simples e ao alcance de qualquer um,que possibilite conduzir uma alimentação adequada para suas aves.A matéria é muito complexa e extensa,zootécnicos e outros profissionais da área utilizam programas de computador(softwares) que processam todas as informações e produzem resultados detalhados,porem são onerosos e difíceis de utilizar,é para os profissionais.Existem no entanto,métodos manuais práticos,com uso de uma simples calculadora e algumas tabelas, que embora mais trabalhosos,permitem a qualquer um com um pouco de paciência conseguir resultados,que se não tão exatos,plenamente satisfatórios para a finalidade a que se destinam.

Galinhas são uma das mais perfeitas conversoras de nutrientes primários em alimentos de primeira qualidade para o ser humano (carne e ovos),perdendo somente para a vaca leiteira.

É cientificamente comprovado que qualquer ser vivo destinado a produção tem exigências nutricionais que lhe permitam o desenvolvimento e a manutenção do próprio organismo e a produção,ao que se chama conversão alimentar.

Por definição em dicionário temos: RAÇÃO

ra.ção

sf (lat ratione) Porção de alimento que se calcula necessária para o consumo diário ou para cada refeição de uma pessoa ou de um animal. Dar de ração: dar alguma coisa por conta, peso e medida. Estar de meia ração: receber só a metade da ração ou dos vencimentos.

Quando se fala em ração,é comum logo se imaginar um saco cheio de substância desconhecida e repleta de componentes tenebrosos,hormônios e produtos químicos prejudiciais.Antes de entrarmos no assunto,é preciso rever TOTALMENTE este conceito,e se concentrar exatamente na definição pura e simples do que é ração.

Basicamente,as exigências nutricionais animais são determinas por : Energia Metabolizável/Proteína Bruta/Aminoácidos/Sais/Minerais/Vitaminas,em quantidades compatíveis entre sí,de forma a proporcionar equilíbrio destes fatores em qualquer porção do alimento ingerido,a isto se denomina BALANCEAMENTO.Formulações não balanceadas resultam em desequilíbrio nutricional,com resultados imprevisíveis.

Muitas são as possibilidades de alimentos a serem fornecidos para galinhas,porem por questões de disponibilidade,custo,conhecimento específico das propriedades,processamento e eficiência efetiva,no Brasil a nutrição avícola está fundamentada em três cereais : MILHO,SOJA e TRIGO,sendo o milho alimento fornecedor de energia,a soja fornecedor de proteína e o trigo,um pouco de cada e teor de fibras.O SORGO,possui propriedades nutricionais similares as do milho,com custo menor,porem para galinhas caipiras não consideramos esta aplicação,devido a ausência de xantofila e consequente descoloração das gemas,além de alguns efeitos negativos para a casca dos ovos.Para galinhas caipiras é desejável o fornecimento de verduras diversas,frutas,raízes e folhas,porem cabe observar que estes alimentos somente contribuirão para o incremento de xantofila , carotenos,algumas vitaminas e minerais porventura aí contidos,devendo ser considerado como um suplemento na alimentação e não como parte efetiva da mesma.Isto deve-se ao fato de ser praticamente impossível determinar exatamente os teores e características de conteúdos destes elementos.*Ao contrário do que se acredita,capins(com algumas exceções) não são benéficos e nem nutricionalmente aproveitáveis por galinhas,produzindo efeitos indesejáveis de digestibilidade ,prestando-se apenas a preservação do solo no local onde são criadas (Fonte:Embrapa).

CONHECENDO OS COMPONENTES NUTRICIONAIS:

ENERGIA:Para que serve?

Crescimento,produção de ovos,movimentos musculares,manutenção da temperatura corporal,respiração,trabalho do coração,funcionamento do aparelho digestivo,síntese de compostos e processos digestivos.

PROTEÍNAS: Para que servem ?

Formação de músculos,tecidos,sangue,penas,ovos,anticorpos,enzimas,hormônios,reposição de tecidos.

AMINOÁCIDOS: Para que servem ?

São moléculas orgânicas indispensáveis para a formação das proteínas,atravéz de suas ligações.Existem 23 tipos de aminoácidos formadores de proteínas,dos quais 13 são essenciais para aves.Estes,devem ser fornecidos na alimentação pois seu organismo não consegue sintetiza-los.São : Arginina,Fenilalanina,Glicina,Tirosina,Histidina,Leucina,Isoleucina,Lisina,Metionina,Treonina,Cistina,Triptofano e Valina.

MINERAIS: Para que servem ?

Fósforo: Formação de ovos,ossos,PH do sangue

Sódio: Pressão osmótica do sangue e PH dos fluídos corporais

Cloro: Formação do suco gástrico

Cálcio: Formação de ossos,casca dos ovos,esqueleto do embrião

Zinco: Metabolismo do fósforo,calcio e digestão de proteínas

Iodo: Funcionamento normal da tiróide

Manganês: Auxilia a utilização do fósforo.Sua deficiência causa embriões deformados

Potássio: Batimentos do coração

Magnésio: Auxilia o metabolismo do calcio e carboidratos.Seu excesso deve ser prevenido pois é tóxico.Por este motivo NUNCA se deve usar calcáreo dolomítico,que contem grande quantidade deste mineral.

Selênio: Sua deficiência inibe o crescimento

Ferro: Formação da hemoglobina,músculos,fígado,baço e rins

Cobre: Idem ao ferro

VITAMINAS: Para que servem ?

Vitamina A : Tecidos epiteliais,membranas,pigmentos da retina,visão perfeita,músculos normais

Vitamina E : Estrutura do cérebro,sistema reprodutor,paredes capilares,antioxidante

Vitamina K : Coagulação do sangue

Vitamina D : Metabolismo do cálcio e do fósforo,formação dos ossos

Vitamina B2(Riboflavina) : Sistemas enzimáticos do organismo.Sua deficiência ocasiona pintinhos com paralisia,atrofia , diarréia e problemas na penugem

Vitamina B1(Tiamina) : Deficiência causa pintinhos com polineurite (cabeça virada para trás)

Ácido Pantotênico: Metabolismo de carboidratos,proteínas e gorduras.Embriões de aves com deficiência apresentam hemorragia e mortalidade nos últimos dias de incubação

Ácido Nicotínico: Metabolismo de carboidratos.Avescom deficiência apresentam engrossamento dos joelhos,pernas arqueadas,crescimento e empenamento retardados.

Vitamina B6(Piridoxina): Metabolismo de aminoácidos.Deficiência causa problemas no sistema nervoso,convulsões e redução na postura e eclosão de ovos.

Vitamina B12: Deficiência causa crescimento retardado,baixa eclosão,alta mortalidade no sétimo dia de incubação e atrofia das pernas.

Biotina: Deficiência causa rachadura nos pés,baixa eclosão,bico de papagaio,membrana entre os dedos e alta mortalidade.

Ácido Fólico: Deficiência causa anemia.

EXIGÊNCIAS:

Uma vez esclarecido o que são componentes nutricionais e para que servem,deve-se considerar que galinhas tem exigências nutricionais detalhadamente conhecidas.Estas exigências são muito diferentes dependendo da fase de vida,peso corporal da ave,temperatura onde são criadas e se são de corte ou postura.Desta forma não existe ração “genérica” ou simplesmente ração inicial,crescimento,etc.Cada situação é particular e não pode-se fornecer alimentação sem uma análise mais detalhada, sob risco de estar fornecendo algo que a ave não precisa e deixar faltar algo indispensável.

Não se pode dar um tanto disto ou daquilo ou adotar receitas caseiras sem fundamentação técnica,isto pode comprometer todo o plantel.Não faça experiências com suas galinhas,os resultados podem ser desastrosos.Cabe notar que ração não é suplemento ou algo que se forneça uma vez ou outra como medicamento.É a alimentação diária e permanente que deve ser fornecida desde o primeiro até o último dia de vida da ave.Se for devidamente constituída fornecerá absolutamente todas as vitaminas,minerais,nutrientes e aminoácidos exigidos pela galinha,NENHUM suplemento como complexos de vitaminas,pó disto ou daquilo será necessário.Qualquer ave alimentada de forma diferente estará em defict nutricional,com sua produtividade,sanidade e longevidade comprometidos.Alterações importantes na alimentação fornecida ocasionam imediata redução na postura de ovos.

O pequeno criador tem duas escolhas:

Comprar ração comercial pronta ou fabricar sua própria ração.A prática mostra que a fabricação própria é a melhor opção,oferece custo 30% menor do que a comercial e proporciona garantia das propriedades da ração,o que nem sempre é confiável nas rações comerciais.Por mais renomados que sejam os fabricantes,as rações comerciais são formuladas por softwares num computador.Estes programas além de calcular e balancear todos os componentes da ração,também fazem a adequação pelo menor custo.Assim,analisam o custo de cada componente e podem substituí-los por eventuais similares,proporcionando “relativamente” as mesmas propriedades.Por exemplo,se o milho subir de preço,pode ser substituído pelo sorgo,com propriedades semelhantes,porém com zero de Xantofila.De qualquer forma,os níveis de garantia informados nos rótulos de rações,só podem ser confirmados mediante analise em laboratório.

A princípio produção própria de ração pode parecer algo muito complicado e trabalhoso,mas na verdade pode ser feita por qualquer um,sem necessidade de grandes conhecimentos e investimentos,levando-se em conta alguns fatores:

– Os ingredientes são facilmente encontrados em fornecedores locais e lojas de agropecuária.Basicamente são os seguintes: Milho moído,farelo de soja,farelo de trigo,calcário calcítico,fosfato bicálcico,sal comum,núcleo mineral/vitaminas.

– O processamento pode ser por um misturador de rações ou com enxada em piso sêco,dependendo da quantidade.Existem misturadores de pequeno porte cujo custo pode ser amortizado em 10 meses.

– Disponibilidade de fornecimento dos cereais.O principal é o milho,que deve ser de boa procedência,com boas condições de estocagem e umidade.Especial cuidado deve ser tomado neste aspecto,pois milho estocado em condições desfavoráveis desenvolve fungos,que produzem toxinas que podem matar galinhas.Tambem a granulometria da quirera é importante,pois partículas grandes na ração levam as aves a consumi-las seletivamente,deixando para trás os farelos,deve ser quirera fina.

– Não produzir ração em grandes quantidades,pois longos períodos de estocagem (+de 60 dias) ocasionam prejuízos para as propriedades nutricionais,preferencialmente guardar a ração em tambores com tampa ou mesmo caixas dágua de plástico tampadas.

– Acompanhar constantemente o custo de produção obtido.

– Sempre dispor de fornecedores alternativos para cada componente,nunca ficar na mão de um só.

FORMULAÇÃO E CONSUMO DE RAÇÕES:

Outras fontes também foram consideradas:

Sociedade Brasileira de Zootecnia/Lb.Degussa

Sergio Inácio Englert-1986-Eng.Agr.UFRS-Mestre em Ciência em Avicultura (Universidade Wisconsin)

COMPOSIÇÃO DAS RAÇÕES:

Existem vários métodos para se formular rações balanceadas,inclusive softweres que fazem estes cálculos rapidamente de maneira eficiente inclusive com o melhor custo,porém pelo preço só são viáveis para utilização quando se trabalha com grande variedade e quantidade de rações.Para o pequeno produtor o mais recomendável é a utilização do método do QUADRADO DE PEARSON , mais adiante explicado.

Antes de tudo é indispensável o conhecimento das exigências nutricionais específicas das aves ás quais a ração se destina,assim bem como das ofertas nutricionais dos componentes a serem empregados.Todas estas informações estão detalhadamente disponíveis nas TABELAS BRASILEIRAS PARA AVES E SUÍNOS (UFV/EDIÇÃO 2017),trata-se do documento mais completo sobre nutrição animal nas condições brasileiras disponível.

A seguir disponibilizamos estas informações para as várias fases de desenvolvimento de POEDEIRAS LEVES DE DESEMPENHO MÉDIO,assim como o método para balanceamento e cálculo de consumo por ave,ressaltando que para aves de corte os valores são diversos.Também convém considerar que existem núcleos(premixes de vitaminas,aminoácidos e vitaminas) específicos para atendimento de cada ração,porém para o pequeno criador,pela quantidade a ser utilizada em cada fase e dificuldade de disponibilidade comercial,sua utilização se torna desinteressante,assim optamos pela utilização de um único núcleo para todas (NÚCLEO POSTURA AC-50 AGROMIX),podendo também serem utilizadas outras marcas,desde que se conheça detalhadamente sua composição.A utilização de uma formulação única pode resultar em pequenos desvios,para mais ou para menos,no atendimeto das exigências,mas de forma geral cumpre o objetivo.

O SEGREDO DOS OVOS AZUIS E VERDES: GENÉTICA MAPUCHE (ARAUCANA)

 

A GALINHA MAPUCHE ARAUCANA

A galinha Araucana possui várias características que a fazem uma raça única no mundo. De fato, é uma galinha tão única que em 1914, ao ser apresentada Salvador Castello, diretor da Real Escola de Avicultura da Espanha, acreditou que estava descobrindo uma nova espécie, e a denominou Gallus inauris. A. A galinha Araucana era tão diferente, que uma pessoa com a experiência em avicultura de Castello, chegou a pensar que era outra espécie, dado que esta galinha era diferente em sua forma, em seu comportamento, além de algumas características únicas. Entre estas características únicas, chamou muito a atenção os brincos, geralmente localizados perto da abertura dos ouvidos, normalmente debaixo e atrás e em alguns casos no pescoço e na nuca.

Os brincos são na realidade uma deformação do canal do ouvido, que quando se projeta até o exterior do indivíduo, forma apêndices e pedúnculos epidérmicos, dos quais saem plumas, podem apresentar-se só de um lado ou de ambos. O tamanho pode ser variado, sendo como bolas grandes, ou tão pequenos que temos que procurar no canal auditivo para encontra-los, existindo muitas vezes diferenças entre um lado e outro: as vezes um é maior que o outro, mais frondoso, com distintas formas e direções ou localizados em diferentes alturas.

O gene dos brincos atua como um gene autossômico (não participa da determinação do sexo do indivíduo), além disso, é dominante e é um gene letal quando se apresenta homozigoto (quando os dois pais transmitem uma cópia do gene para sua cria, já que ela morre em sua casca entre os dias 17 e 20 de sua incubação). Assim aos exemplares que tem brincos, somente um dos pais transmitiu o gene. Este gene tem reentrância variável, ou seja, em um exemplar com brincos não importa se tem apenas um ou qual o tamanho, pois podem ocorrer todos os tipos de brincos, direitos esquerdos, grandes, pequenos, assimétricos, etc. O importante é que tenham o gene. Os exemplares com brincos também podem morrer quando pequenos, uma vez que a deformação muitas vezes lhes traz complicações internas.

Ao cruzar dois exemplares com brincos, morrerão 25% dos pintinhos na casca, porque receberam duas cópias do gene, cerca de 30% sairão sem brincos e 50% terão brincos. De todos os modos morrerá uma parte deles na casca porque às vezes os brincos nascem dentro do crâneo, outra parte deles morrerá fora da casca por problemas internos causados pelos brincos ao formar-se.

Ao cruzar um exemplar com brincos com um sem brincos, 50% de suas crias não terão brincos e os outros 50% terão, porem uma parte deles morrerá pelos mesmos motivos.

Ao avaliar os dois cruzamentos, se deu conta que quando: “se cruza dois exemplares que tem brincos entre si” e “se cruza um exemplar que tenha brincos com um que não os tenha”, se obtém o mesmo número de exemplares com brincos em sua descendência, porem muda o número de exemplares sem brinco.

As patas e tarsos verdes são uma das características próprias da galinha Mapuche Araucana, ainda que também de outras raças não aparentadas com ela. Esta cor se deve principalmente a interação de dois genes. O primeiro gene é o da presença de melanina na endoderme dos tarsos “id+” (cujo antagonista “ID” determina a ausência de melanina nos tarsos e é dominante sobre a presença de melanina na endoderme dos tarsos)

Este gene da presença de melanina nos tarsos está ligado ao sexo. O outro gene necessário para formar as patas verdes é o gene da pele amarela “w” (seu antagonista “W” “W”, da pele branca é dominante sobre a pele amarela, também existe um gene recessivo de pele branca, ainda que menos comum).

A cor da pele amarela ou branca determina a cor da epiderme.

Ao interagirem estes genes produzem tarsos ou patas verdes. A presença ou ausência de melanina se determina pelos genes “id+” e “ID” respectivamente. Então o gene “id+” (presença de melanina na endoderme dos tarsos) ao interagir com pele amarela “w” “w”, resulta na cor verde, porem quando interage com o gene “W” “W”, pele branca, gera patas de cor ardósia, azul ou cinza.

Existem distintos genótipos das patas. Deve-se lembrar de que cada indivíduo possui duas cópias de genes para um mesmo traço, um transmitido pelo pai e outro pela mãe.

Temos os seguintes tipos:

Id+/id+  +  w/w   = Patas verdes

Id+/id+  +  W/W = Patas ardósia, cinzas e azuis.

ID/ID      +  w/w = Patas amarelas

ID/ID      +  W/W = Patas brancas e rosadas

Id+/ID    +  w/w  = Patas amarelas

Id+/id+   + w/W  = Patas ardósia, cinzas e azuis.

Também é importante saber que existem padrões de plumagem que modificam a cor das patas, como a plumagem Barrado, cor de trigo, salpicado, mosqueado e flor de aba. Além disto, a cor bétula modifica cores muito escuras.

O gene de presença de melanina “id+” não é o único, também existem mutações do mesmo como “idM” e “Eei”,responsável pelas cores cinza claro e verde salgueiro. Por outro lado existe o gene “ida “que produz patas com pontos verdes, as quais podem ser patas brancas com pontos pretos ou cinzas ou amarelas com pontos verdes, dependendo da cor da pele”“.

O gene de presença de melanina nos tarsos está ligado ao sexo. Os galos se representam com seus cromossomas ZZ e as galinhas com ZW (assim como os homens humanos se representam com cromossomas XY e a mulher XX). O gene “id+” ou presença de melanina nos tarsos se liga ao cromossoma  Z ou W. Então o gene ligado a um cromossoma  Z  jamais se transferirá ao cromossoma  W  e vice versa.

 

OS OVOS AZUIS E VERDES

 

Uma das principais características das Araucanas é a coloração azul de seus ovos. Esta coloração se deve ao depósito de pigmentos derivados da bílis, particularmente a Biliverdina. O pigmento se concentra no aparelho de postura de ovos e se deposita no carbonato de cálcio que forma a casca do ovo. Por esta razão, a casca dos ovos é azul, tanto por dentro quanto por fora, em contraste com os ovos castanhos e marrons, que tem esta cor só por fora, posto que por dentro sejam brancos. Os ovos verdes se devem a combinação destas duas cores, primeiro a coloração azul forma a casca e a pinta por dentro e por fora, para depois serem tingidos só por fora com a cor marrom, a combinação de diferentes intensidades de azul com diferentes intensidades de marrom, interagem para das diferentes tonalidades de verde.

A coloração azul é dada por um gene Dominante Autossômico (cromossomo cujos genes não participam da determinação do sexo), ou seja, o gene se transmite facilmente e independe do gênero do exemplar. O gene interage de forma bastante complexa com os genes de outras colorações de ovos. Assim explicarei de forma sucinta como se transmite o gene do ovo azul.

As crias podem ter o gene do ovo azul, transmitidos apenas por um de seus pais ou por ambos.

Explico com uma simbologia própria para facilitar o entendimento: Ao gene do ovo azul denominaremos “A”, de azul e ao gene do ovo não azul denominaremos “n”. Ainda que a verdadeira letra com que se denomina o gene do ovo azul seja “O “,modificamos para facilitar a explicação.

Vamos diferenciar três tipos de indivíduos:

“AA“ – Seria um indivíduo com duas cópias do gene do ovo azul, uma transmitida por cada um dos pais, ou seja, seria homozigoto (indivíduo que herda de ambos os pais genes iguais para a mesma característica) para o gene do ovo azul.

“An” _ Seria um indivíduo com apenas uma cópia do gene do ovo azul, transmitida por apenas um de seus pais, ou seja, seria heterozigoto (estado em que um indivíduo é dotado de formas alternativas de ocorrência de um gene) para o gene do ovo azul.

“nn” _ Seria um indivíduo que não possui nenhuma cópia do gene do ovo azul, nenhum de seus pais lhe transmitiu o referido gene, ou seja, seria homozigoto para o gene de ovos não azuis.

Este três tipos de indivíduos “AA”, ”An” e “nn” podem resultar apenas estes seis tipos de interações. Aos cruzamentos representaremos com X.

Cruzamento 1: “AA” X  “AA”

100% das crias serão “AA” e homozigotos para o gene do ovo azul. Todas as crias produzirão ovo azul.

 

Cruzamento 2: “AA” X “An”

50% das crias serão “AA”

50 % das crias serão “An”

Todas as crias produzirão ovos azuis

 

Cruzamento 3: “AA” x  “nn”

100% das crias será “An”

Todas as crias produzirão ovos azuis

 

Cruzamento 4: “An” x “An”

25% das crias serão “AA”

50% das crias serão “An”

25% das crias serão “nn”

75 % das crias produzirão ovos azuis

 

Cruzamento 5: “An” X “nn”

50% das crias serão “An”

50% das crias serão “nn”

50% das crias produzirão ovos azuis

 

Cruzamento 6:  “nn” X “nn”

100% das crias serão “nn” _ Nenhuma produzirá ovos azuis

Dúvidas frequentes:

_ Uma galinha que nasceu de um ovo marrom pode por ovos azuis?

 

Resposta: Sim, quando apenas o pai tenha transmitido o gene do ovo azul. Isto se explica pelos cruzamentos 3 e 5

 

_ Uma galinha que nasceu de um ovo azul pode por ovos marrons?

Resposta: Sim, quando a mãe tenha recebido o gene do ovo azul por parte de apenas um dos pais e o pai não tenha o gene do ovo azul, ou seja, mãe “An” e pai “nn”. Isto se explica pelos cruzamentos 4 e 5

 

*Este documento foi criado e redigido por nosso irmão em Chile Gonzalo Carvajal (kollonco araucano), a quem muito agradecemos, para fornecer a outros criadores informação de utilidade  da raça Mapuche Araucana com finalidade de fomentar o resgate e restauração da galinha Mapuche Araucana e a criação seletiva da apreciada raça.

Versão em português traduzida em www.ovocaipira.eco.br

 

 

 

INFLUÊNCIA DA UMIDADE NA INCUBAÇÃO DE OVOS

Existem muitas tabelas,inclusive de fabricantes, que determinam qual a umidade relativa a ser mantida em incubadoras.Estas tabelas não podem ser seguidas genericamente ou ao pé da letra.O teor de umidade a ser mantido na incubadora não pode ser interpretado como condição absoluta,uma vêz que está diretamente ligado com a perda de massa do ovo durante o período de incubação.Esta perda também é intimamente relacionada com a idade da matriz.Desta forma o mais recomendável é proceder a uma avaliação do teor percentual de perda de massa dos ovos em cada situação,para  então adequar a umidade na incubadora.O documento anexo (Escola de Veterinária-UFMG) possibilita uma boa avaliação para este fim:

 

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.60, n.3,p.741-748,2008

Efeitos da umidade relativa do ar na incubadora e da idade da matriz leve sobre o rendimento da incubação

[Effects of relative air humidity in the hatchery and breeder hen age on the incubation yield]

V.M. Barbosa, S.V. Cançado*, N.C. Baião, A.M.Q. Lana, L.J.C. Lara, M.R. Souza

Escola de Veterinária – UFMG Caixa Postal 567

30123-970– Belo Horizonte, MG

RESUMO

Aaliaram-se os efeitos da umidade relativa do ar na incubadora (URI) e da idade da  matriz leve sobre o rendimento de incubação, sobre o peso absoluto do coração e do saco vitelino e sobre a relação desses dois órgãos com o peso do pinto ao nascer. Foram utilizados 10.836 ovos de matrizes da linhagem Lohmann LSL, com 26, 41 e 56 semanas de idade, incubados com níveis de URI de 48, 56 e 64%. A perda de peso do ovo foi maior à medida que diminuiu a URI ou à medida que aumentou a idade da matriz. A maior taxa de eclosão foi obtida quando se utilizaram 56% de URI, e os ovos das matrizes mais velhas apresentaram eclodibilidade reduzida. A maior relação saco vitelino/peso do pinto foi obtida quando os ovos foram incubados com URI de 48% e com ovos de matrizes com idade de 41 semanas. Os pintos de matrizes com 41 e 56 semanas de idade apresentaram os maiores pesos absolutos do coração e os das matrizes com 56 semanas, a maior relação peso coração/peso pinto.

Palavras-chave:ave de postura, umidade relativa do ar, idade da matriz leve, incubação, taxa de eclosão

ABSTRACT

The effects of hatchery relative air humidity (RAH) and age of breeder hen on incubation yield, on heart weight, on yolk sac and on the ratio of these organs and thenewly-hatchedchick weight were evaluated. A total of 10,836 eggs of Lohmann LSL of 26, 41 and 56week-oldbreeder hens were incubated in three hatchery relative humidity (48, 56 and 64%). Egg weight loss was higher for eggs incubated at lower RAH and for older breeder hens. The hatchability was higher for RAH lower than 56% and lower for eggs of older hens. Higher yolk sac/chick weight ratio was observed for eggs of 41week-oldbreeder hens and for eggs incubated at lower RAH (48%).Chicks hatched from eggs of 41 to 56week-oldbreeder hens had the highest heart weight/chick weight ratio.

Keywords: breeder hen, relative air humidity, age of breeder hen, incubation, yield

INTRODUÇÃO

As modificações na estrutura do ovo com o aumento da idade da matriz influenciam o rendimento de incubação. Ovos produzidos por matrizes velhas freqüentemente são maiores e têm a casca mais fina e com maior número de poros. O inverso acontece com os ovos produzidos por matrizes jovens, que são

Recebido em 23 de agosto de 2007 Aceito em 7 de abril de 2008

*Autor para correspondência (corresponding author)E-mail:silvana@vet.ufmg.br

Apoio: FAPEMIG

menores, com casca de maior espessura e menor quantidade de poros (Wilson, 1991; McLoughlin e Gous, 2000; Ribeiro et al., 2007).

A água atravessa os poros da cascamovendo-sesempre do ponto mais úmido, que normalmente é o interior do ovo, para o ponto mais seco, o ambiente. Por esse motivo, a umidade em volta dos ovos férteis deve ser controlada para

Barbosa et al.

assegurar desenvolvimento adequado dos embriões (Tullett, 1990; Deeming, 1995; Decuypere, 2001).

À medida que aumenta a idade da matriz, aumenta a capacidade da casca em permitir as trocas de gases e vapor de água entre o embrião e o meio ambiente. Essa capacidade está relacionada diretamente com o número e as dimensões dos poros e com a espessura ou resistência da casca, além de se relacionar também com as condições ambientais da incubadora (Tullett, 1990; Campo e Ruano, 1995; Brake, 1996; Santos, 2003).

Quando a umidade relativa do ar na incubadora (URI) for muito baixa, haverá perda excessiva de umidade dos embriões, prejudicando a eclosão e resultando em pintos pequenos e desidratados. Por outro lado, se a URI for muito alta, os embriões tendem a eclodir precocemente, e com freqüência se apresentam molhados, podendo também ocorrer albúmen residual (Taylor, 1999; Salazar, 2000; Decuypere et al., 2003).

French e Tullett (1991) sugeriram que, para a obtenção de melhores rendimentos de incubação, é possível ajustar a URI baseando se na idade da matriz pesada. Vick et al. (1993) pesquisaram os efeitos de dois níveis de URI (50 e 58%) sobre a eclodibilidade de ovos de matrizes pesadas durante o período de 28 até 64 semanas de idade e concluíram que há tendência de os ovos de matrizes mais jovens terem melhor taxa de eclosão e menor mortalidade embrionária precoce com URI mais baixa (50%). Os ovos incubados com 58% de URI apresentaram melhores taxas de eclodibilidade e menores índices de mortalidade embrionária tardia em matrizes a partir de 60 semanas de idade.

Buhr (1995) avaliou os efeitos da idade da matriz leve e da URI sobre a perda de peso dos ovos de um a 18 dias de incubação e sobre a taxa de eclosão e concluiu que, independente da idade da matriz, a perda de peso do ovo é maior quanto menor for a URI, sendo que os ovos de reprodutoras velhas perdem mais peso quando comparados com os ovos de reprodutoras novas. Quanto à eclodibilidade, o autor concluiu que ovos de matrizes novas devem ser incubados com URI mais baixa (55%).

A variação no peso dos pintos à eclosão pode ser influenciada pelo peso do ovo antes da incubação e pela perda de peso durante a incubação. Portanto, ovos de matrizes mais velhas, que são mais pesados quando comparados aos das galinhas mais novas, produzem pintos mais pesados (Vieira e Moran Jr., 1998; Bruzual et al., 2000; Peebles et al., 2001; Ribeiro et al., 2007).

Vieira e Moran Jr. (1998) observaram que os pintos produzidos por matrizes mais velhas apresentaram maior peso corporal e maior peso de saco vitelino quando comparados com os pintos das matrizes mais novas e que, apesar de os ovos das matrizes mais velhas terem sido mais pesados e com maior peso de saco vitelino, não foram observadas diferenças significativas na relação peso saco vitelino/peso pinto. Porém, Maiorka et al. (2004), avaliando a relação peso saco vitelino/peso do pinto nos descendentes de matrizes pesadas com 30 e 60 semanas de idade, encontraram maior relação (21,5%) nos pintos das matrizes mais velhas, quando comparadas com pintos das matrizes mais novas (18,2%).

Luquetti et al. (2004) estudaram a influência da idade da matriz, no peso do pinto à eclosão e no peso do coração, e concluíram que as variáveis estudadas apresentaram aumento de peso absoluto à medida que aumentou a idade da matriz. Segundo Wineland e Christensen (2003), não foram observados efeitos dos níveis de URI sobre a relação peso do coração/peso do pinto.

Os objetivos deste trabalho foram avaliar os efeitos da URI e da idade da matriz leve sobre a perda de peso do ovo, a taxa de eclosão, o peso dos pintos à eclosão, a relação peso do pinto/peso do ovo e o peso absoluto do coração e do saco vitelino e a relação destes dois órgãos com o peso do pinto ao nascer.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 10.836 ovos (3612 ovos para cada idade) de matrizes leves da linhagem Lohmann LSL. Todos os ovos foram produzidos no mesmo dia e utilizados somente após um dia de armazenamento, para que não houvesse efeitos prejudiciais ao embrião (Fiúza et al., 2006). Foi realizada a seleção dos ovos, eliminando os ovos não incubáveis (sujos, trincados, quebrados, pequenos, com duas gemas e deformados). Após a seleção, os ovos foram

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classificados,estabelecendo-seuma categoria de peso para cada idade de matriz. As categorias de peso foram de 54,5 a 57,0g; 59,5 a 61,0g e de 59,5 a 61,5g para os ovos das matrizes com 26, 41 e 56 semanas de idade, respectivamente. Em seguida, os ovos foram colocados em bandejas próprias para incubação (cada bandeja foi considerada uma repetição), com capacidade para 86 ovos cada. Nessas condições, os ovos permaneceram na sala de armazenamento até o dia da incubação.

Os tratamentos foram definidos pela idade das matrizes e pelos níveis de URI, da seguinte maneira: ovos de matrizes com 26 semanas de idade, incubados com 48,0% de URI; ovos de matrizes com 41 semanas de idade, incubados com 48,0% de URI; ovos de matrizes com 56 semanas de idade, incubados com 48,0% de URI; ovos de matrizes com 26 semanas de idade, incubados com 56,0% de URI; ovos de matrizes com 41 semanas de idade, incubados com 56,0% de URI; ovos de matrizes com 56 semanas de idade, incubados com 56,0% de URI; ovos de matrizes com 26 semanas de idade, incubados com 64,0% de URI; ovos de matrizes com 41 semanas de idade, incubados com 64,0% de URI; ovos de matrizes com 56 semanas de idade, incubados com 64,0% de URI.

Foram utilizadas três incubadoras1, com capacidade para 19.264 ovos cada, que se localizavam na mesma sala de incubação. As três máquinas de incubação tiveram seus termostatos regulados para manter constante a temperatura em 37,2ºC (99°F). A única diferença entre as incubadoras foi a temperatura do termômetro de bulbo úmido, cujo termostato foi regulado para 27,8ºC (82°F), 29,4ºC (85°F) e 31,1ºC (88°F), correspondendo aos teores de URI iguais a 48%, 56% e 64%, respectivamente. Antes da entrada dos carrinhos nas incubadoras, todas as bandejas com os ovos do experimento foram pesadas individualmente. Cada carrinho foi colocado na mesma posição em cada uma das três incubadoras.

Os ovos do experimento ocuparam três bandejas em cada andar do carrinho de incubação. As bandejas foram distribuídas de tal forma que cada andar tivesse uma bandeja de ovos originados de cada lote de matriz, ou seja, uma

1Casp M57 RE – São Paulo, Brasil.

repetição de cada idade da matriz. No momento da transferência para o nascedouro, todas as bandejas foram novamente pesadas individualmente. Após a pesagem, os ovos foram transferidos para bandejas de eclosão, identificadas de acordo com os tratamentos. Os pintos nascidos foram retirados das bandejas e colocados em caixas identificadas de acordo com os tratamentos e de repetições. O número de ovos não eclodidos foi registrado.

Foram determinadas: a perda de peso dos ovos, no momento em que foram transferidos da incubadora para o nascedouro; a taxa de eclosão total e a relação percentual do peso do pinto/peso do ovo.

Após o nascimento, foi realizada ao acaso a coleta de dois pintos de cada uma das 14 repetições de cada tratamento, totalizando uma amostra de 28 pintos por tratamento. Esses pintos foram sacrificados para a retirada do coração e do saco vitelino. Além dos dados de peso absoluto, foram avaliados também os dados referentes à relação percentual desses órgãos com o peso dos pintos.

Para a avaliação do rendimento de incubação (perda de peso do ovo, taxa de eclosão, peso dos pintos à eclosão, relação peso do pinto/peso do ovo), o delineamento experimental foi em blocos ao acaso no arranjo em parcelas subdivididas. O fator da parcela foi a URI (três níveis), e a subparcela foi a idade da matriz (três idades). Os blocos foram constituídos pelos andares dos carrinhos de incubação, em que cada andar continha uma repetição de cada idade da matriz. Os nove tratamentos foram constituídos por 14 repetições com 86 ovos cada (bandeja de incubação). Para a avaliação do peso absoluto do coração e do saco vitelino e a relação percentual desses órgãos com o peso do pinto, o delineamento experimental foi o mesmo utilizado para o rendimento de incubação, sendo, nesse caso, cada pinto considerado uma repetição. As diferenças entre as médias foram avaliadas pelo testeStudent-Newman-Keuls(SNK), segundo Sampaio (2002).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados de perda de peso dos ovos durante a incubação se encontram na Tab. 1. Em relação à idade da matriz, a porcentagem de perda de

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Barbosa et al.

peso dos ovos foi crescente com o aumento da idade (P<0,05). Segundo Brake (1996), McLoughlin e Gous (2000) e Santos (2003), ocorre perda de peso linear de acordo com o aumento da idade das matrizes. Campo e Ruano (1995) concluíram que a perda de peso dos ovos foi inversamente proporcional à espessura da

casca e diretamente proporcional ao número de poros existentes na mesma, e, como a qualidade da casca do ovo diminui com o aumento da idade da matriz, essa característica pode ser responsável pela maior taxa de perda de peso dos ovos das matrizes mais velhas obtidas neste experimento.

Tabela 1. Valores médios de perda de peso dos ovos durante o período de incubação (%) de acordo com a umidade relativa do ar e a idade das aves

Idade Umidade relativa do ar (%) Média
48 56 64
26 13,16 11,97 11,20 12,11c
41 15,60 13,61 12,60 13,94b
56 16,77 14,62 13,39 14,93a
Média 15,18A 13,40B 12,40C

Médias seguidas de letras distintas minúsculas na coluna e maiúsculas na linha diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05).

CV = 2,8%.

Foi observado também, independentemente da idade da matriz, maior perda de peso dos ovos à medida que a URI diminuiu. Resultados semelhantes foram encontrados por Vick et al. (1993), Deeming (1995), Buhr (1995) e Santos (2003). Tullett (1990) e Decuypere et al. (2003) justificaram que a água atravessa os poros da casca do ponto mais úmido para o ponto mais seco. Por isso, quanto mais úmido o ar em volta do ovo, menor será a sua taxa de evaporação.

Os valores das taxas de eclosão em relação ao número de ovos incubados se encontram na Tab.

2. As menores taxas de eclosão foram obtidas com os ovos das matrizes mais velhas (56 semanas), independente da URI (P<0,05), e as melhores taxas de eclosão ocorreram quando os ovos foram submetidos à URI de 56% (P<0,05). Segundo Taylor (1999), Salazar (2000) e Decuypere et al. (2003), a baixa URI torna possível a perda excessiva de umidade nos embriões, prejudicando os nascimentos, e a alta URI, na incubação, pode ocasionar a baixa perda de umidade nos embriões, diminuindo o tamanho da câmara de ar do ovo e comprometendo o desenvolvimento dos mesmos.

Tabela 2. Taxa de eclosão total em relação aos ovos incubados (%) de acordo com a umidade relativa do ar e a idade das aves

Idade Umidade relativa do ar (%) Média
48 56 64
26 78,82 85,96 74,75 79,84a
41 80,65 84,80 76,49 80,65a
56 66,45 76,33 66,78 69,85b
Média 75,30B 82,36A 72,67B

Médias seguidas de letras distintas minúsculas na coluna e maiúsculas na linha diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05).

CV = 6,9%.

Os pesos médios dos pintosencontram-sena Tab. 3. Os maiores pesos de pintos foram atingidos com os ovos das aves com 41 semanas de idade, seguidos das aves com 56 semanas e, por último, das aves com 26 semanas, independente da umidade da incubadora

(P<0,05). De acordo com Tullett (1990), a variação no peso dos pintos à eclosão pode ser influenciada pelo peso do ovo antes da incubação e pela perda de peso durante a incubação. Os ovos das aves com 41 semanas de idade tiveram perda de peso menor quando comparada aos

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Efeitos da umidade relativa do ar…

tratamentos com matrizes de 56 semanas (P<0,05). O peso dos pintos descendentes das aves mais jovens (26 semanas) foi significativamente menor (P≤0,05) que os descendentes de matrizes com idades mais elevadas, semelhante ao observado por Vieira e

Moran Jr. et al. (1998), Bruzual et al. (2000), Peebles et al. (2001) e Luquetti et al. (2004).

Em relação aos efeitos da URI, os maiores pesos dos pintos foram encontrados quando os ovos foram incubados com 64% de URI. Os pesos dos pintos nos níveis de 48 e 56% de URI não foram diferentes entre si (P>0,05) independentemente da idade da matriz.

Tabela 3. Peso médio dos pintos em gramas de acordo com a umidade relativa do ar e a idade das aves.

Idade Umidade relativa do ar (%) Média
48 56 64
26 37,24 37,50 37,49 37,41c
41 40,11 39,63 41,06 40,27a
56 39,51 38,98 39,61 39,37b
Média 38,95B 38,70B 39,39A

Médias seguidas de letras distintas minúsculas na coluna e maiúsculas na linha diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05).

CV = 2,9%.

A relação peso do pinto/peso do ovo (Tab. 4) foi menor no tratamento com 56 semanas de idade, independentemente da URI (P<0,05). Esse comportamento sugere que a perda de peso dos ovos ocorrida durante o período de incubação foi responsável pela menor relação peso do pinto/peso do ovo. Luquetti et al. (2004) encontraram maior relação peso do pinto/peso do ovo para matrizes pesadas com 60 semanas quando comparados às idades de 30 e 45 semanas.

Em relação à URI, independente da idade da matriz, o nível de 64%, em que os ovos perderam menor peso, revelou relação peso do pinto/peso do ovo significativamente maior (P<0,05) quando comparada à relação daqueles que foram incubados com as umidades relativas de 48 e 56% e entre estas não foi verificada diferença (P>0,05). Os valores da relação peso do pinto/peso do ovo obtidos nesta pesquisaassemelham-seàs informações obtidas de Wilson (1991), que considera que essa relação corresponde a 68% do peso inicial do ovo.

Tabela 4. Relação peso do pinto/peso do ovo de acordo com a umidade relativa do ar e a idade das aves

Idade Umidade relativa do ar (%) Média
48 56 64
26 68,65 68,36 69,32 68,78a
41 67,84 68,40 70,28 68,84a
56 65,11 66,80 67,97 66,63b
Média 67,20B 67,85B 69,19A

Médias seguidas de letras distintas minúsculas na coluna e maiúsculas na linha diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05).

CV = 2,8%.

Os valores relativos ao peso absoluto do saco vitelino e à relação peso saco vitelino/peso do pinto são apresentados nas Tab. 5 e 6, respectivamente. Os pintos das matrizes com 41 semanas de idade apresentaram o maior peso de saco vitelino, independentemente da URI (P<0,05), sendo que os pesos dos sacos vitelino dos pintos descendentes das matrizes com 26 e

56 semanas de idade foram semelhantes entre si (P>0,05). Independentemente da URI, a relação peso saco vitelino/peso do pinto foi significativamente menor (P<0,05) para os ovos de matrizes de 56 semanas de idade, sendo que, nos pintos originados das matrizes com 26 e 41 semanas, não foram observadas diferenças (P>0,05).

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Barbosa et al.

Tabela 5. Peso médio absoluto do saco vitelino em gramas de acordo com a umidade relativa do ar e a idade das aves

Idade Umidade relativa do ar (%) Média
48 56 64
26 5,39 4,94 4,95 5,09b
41 5,57 5,46 5,45 5,49a
56 5,34 4,85 4,82 5,00b
Média 5,43A 5,09B 5,07B

Médias seguidas de letras distintas minúsculas na coluna e maiúsculas na linha diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05).

CV = 14,7%.

Independentemente da idade da matriz, o peso absoluto do saco vitelino e a relação peso saco vitelino/peso do pinto com 48% de URI foram mais altos que nos demais níveis de URI (P<0,05). Entre as umidades de 56 e 64% não foram observadas diferenças (P>0,05). A maior relação saco

vitelino/peso do pinto foi observada com utilização da URI de 48% (P≤0,05), quando comparada com os tratamentos em que foram utilizadas as URI de 56 e 64%, as quais foram semelhantes entre si (P>0,05).

Tabela 6. Relação peso do saco vitelino/peso do pinto (%) de acordo com a umidade relativa do ar e a idade das aves

Idade Umidade relativa do ar (%) Média
48 56 64
26 14,80 13,60 13,42 13,93a
41 14,30 13,95 13,53 13,92a
56 13,89 12,68 11,10 13,03b
Média 14,33A 13,41B 13,15B

Médias seguidas de letras distintas minúsculas na coluna e maiúsculas na linha diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05).

CV = 12,7%.

Nas Tab. 7 e 8, são apresentados os resultados dos pesos absolutos do coração e a relação peso do coração/peso do pinto, respectivamente. Foi observado efeito da idade da matriz sobre o peso absoluto do coração, e os pintos das matrizes com 26 semanas tiveram pesos significativamente

menores (P<0,05). Os pintos das matrizes, com idades de 41 e 56 semanas, foram semelhantes entre si. Estes resultadosassemelham-seaos encontrados por Luquetti et al. (2004), que verificaram acréscimo no peso absoluto do coração à medida que aumentou a idade da matriz pesada.

Tabela 7. Peso absoluto do coração em gramas de acordo com a umidade relativa do ar e a idade das aves

Idade Umidade relativa do ar (%) Média
48 56 64
26 0,28 0,28 0,29 0,28b
41 0,31 0,30 0,32 0,31a
56 0,32 0,30 0,31 0,31a
Média 0,30 0,29 0,31

Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05).

CV = 10,9%.

A relação peso do coração/peso do pinto também foi influenciada pela idade da matriz, sendo que a relação foi maior (P<0,05) nos pintos descendentes de matrizes com 56 semanas, e os valores encontrados nos pintos originados de matrizes com 26 e 41 semanas foram semelhantes entre si. Não foram observados efeitos significativos da URI

sobre o peso absoluto e a relação peso do coração/peso do pinto (P>0,05). Estes resultadosassemelham-seaos encontrados por Wineland e Christensen (2003), que não observaram efeito significativo de níveis de umidade relativa na incubação de ovos de matrizes pesadas sobre a relação peso do coração/peso do pinto.

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Efeitos da umidade relativa do ar…

Tabela 8. Relação peso do coração/peso do pinto de acordo com a umidade relativa do ar e a idade das aves

Idade Umidade relativa do ar (%) Média
48 56 64
26 0,78 0,77 0,78 0,78b
41 0,79 0,75 0,80 0,78b
56 0,82 0,79 0,81 0,81a
Média 0,80 0,77 0,80

Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05).

CV = 10,0%.

CONCLUSÕES

A perda de peso do ovo é maior à medida que diminui a umidade relativa do ar na incubadora ou à medida que aumenta a idade da matriz.

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748 Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.60, n.3, p.741-748, 2008


DESEMPENHO DE POEDEIRAS CAIPIRA

DESEMPENHO DE POEDEIRAS CAIPIRAS

Financeiramente a alimentação é o principal fator na viabilização e lucratividade na produção de ovos, correspondendo a 70% do custo de produção.

Os fornecedores de aves para desenvolvimento disponibilizam tabelas de desempenho e manuais de manejo, que na verdade são apenas orientativos , genéricos e deficitários em informação, não podendo ser tomados ao pé da letra.

A nutrição determina diretamente a produtividade, qualidade do produto, sanidade e longevidade produtiva do plantel, assim não pode ser conduzida de forma aleatória.

 DEFINIÇÃO DE RAÇÃO (dicionário AULETE): Porção balanceada de alimento, distribuída em quantidade suficiente para garantir o bom funcionamento do organismo.

Assim, devemos considerar que algumas gramas a mais ou a menos farão enorme diferença nos resultados almejados e consequentemente na lucratividade final.

A nutrição animal é matéria extremamente complexa e objeto de pesquisa e desenvolvimento constantes para milhares de profissionais da área em dezenas de países, apresentando-se assim de forma distante e inacessível ao leigo e pequeno produtor. No entanto, com o advento da disponibilização global do conhecimento, com um pouco de empenho e boa vontade é possível obter resultados práticos por meio da avaliação destas informações.

As necessidades nutricionais animais estão condicionadas a inúmeros fatores e variáveis tais como peso corporal, linhagem, idade, temperatura ambiente, manejo e outras mais. Desta forma não se pode generalizar o alimento fornecido, devendo-se adequá-lo e quantifica-lo conforme as condições específicas para cada caso.

Grande parte das informações disponíveis para nutrição de aves está fundamentada em tecnologia de países da América e Europa, para condições totalmente diferentes das nossas no que se refere a características dos nutrientes, linhagens e condições climáticas. A Universidade Federal de Viçosa, através de seu Departamento de Zootecnia desenvolveu o documento Tabelas Brasileira para Aves e Suínos (disponível na página TECNOLOGIA), especificamente para condições presentes em nosso país. Ao leigo como eu,a primeiro vista este material apresenta-se extremamente complexo e de difícil entendimento, mas não é necessária formação acadêmica para daí se extrair importantes informações de uso prático.

As informações das tabelas de desempenho e nutrição de fornecedores de aves limitam-se a informar estimativas de consumo de ração e produtividade, não detalhando porem as propriedades nutricionais da ração a ser fornecida, assim é necessário saber exatamente quais as exigências das aves conforme suas características,idade,peso,etc..

A ração deve conter de forma equilibrada, daí o nome ração balanceada, todos os nutrientes indispensáveis para a mantença e produção do animal, energia, proteínas e complemento vitamínico/mineral, além dos aminoácidos essenciais. Na prática, numa ração devidamente balanceada, os principais parâmetros práticos para avaliação serão: energia metabolizável e conteúdo de proteínas, que estando devidamente atendidos suprirão adequadamente as exigências da ave.

A energia metabolizável é mensurável em Kcal/kg e a proteína em % de conteúdo/kg.

Assim no momento de adquirir ou produzir ração para suas aves o produtor deverá analisar detalhadamente suas necessidades, pois o consumo e os resultados estarão diretamente condicionados a estes fatores. Não adianta comprar rações meramente pelo preço, sem antes avaliar devidamente sua composição e conteúdo.

Com as Tabelas Brasileiras ( DISPONÍVEL EM “TECNOLOGIA”) pode-se de modo prático verificar se as necessidades estão sendo supridas. A tabela 48(pag.113),por exemplo, apresenta as exigências para poedeiras semipesadas nos parâmetros de energia metabolizável/ peso corporal/temperatura/consumo de ração. As exigências de energia metabolizável estão condicionadas a três níveis diferentes de temperatura (tabelas 38 e 44): 16,21 e 26 graus centígrados, respectivamente. Analisando a formulação da ração que se pretender utilizar, facilmente se verificará se está adequada e quais os níveis de fornecimento aplicáveis.

Para que se consigam resultados vantajosos de um arraçoamento eficiente é indispensável que o produtor mantenha rígido controle dos números envolvidos como registro de postura, peso das aves, fornecimento de ração, idade, que servirão de ferramenta para avaliação de desempenho.

 

O gráfico anexo mostra comparação entre resultados esperados informados pelo fornecedor e resultados efetivamente conseguidos, monitorados de 0 a 60 semanas, em um lote específico de poedeiras (Ovos Azuis). Cabe ressaltar que no caso em questão estas poedeiras não apresentam uniformidade de porte devido a miscigenação de linhagens em sua origem, assim para consideração de peso corporal é necessário estabelecer uma média para o lote. O fornecimento efetivo de ração obedeceu aos parâmetros para aves com peso médio de 1,8 kg, 300 Kcal/ave/dia, temperatura de 21 centígrados. Observa-se que nas fases inicial e crescimento (até 20 semanas) ocorreu significativa diferença a menor entre as quantidades de ração fornecidas e sugeridas e já na principal fase produtiva (30 a 60 semanas) um notável incremento na produção de ovos. Acreditamos que os valores previstos pelo fornecedor sejam correlatos a ração com teor energético de 2700 Kcal/Kg, quando a que utilizamos apresentam 2850 Kcal/Kg, daí a importância da adequação nutricional.

Oportunamente serão reportados resultados subsequentes a 60 semanas

 

 

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE NUTRIÇÃO NA AVICULTURA

É indiscutível a importância que a nutrição exerce como fator preponderante,responsável tanto pelo desenvolvimento,sanidade e longevidade das aves,quanto pelos resultados de produtividade objetivados.

Em termos financeiros corresponde de maneira geral a 70% na composição do custo final de produção,sejam ovos,seja carne.A maioria das rações avícolas utilizadas no Brasil tem como componentes principais o milho (50/65%) como fonte de energia e o farelo de soja (18/26%) como oferta de proteína,ressaltando-se que para a avicultura “caipira” é vedado o uso de proteínas de origem animal.

Existem milhares de possibilidades para formulação de rações balanceadas,de forma que em termos de consumo pelas aves não se pode generalizar a relação de fornecimento gramas/ave/dia,considerando-se que as necessidades nutricionais das aves estão parametradas por um sem número de variáveis,tais como peso corporal,linhagem,idade,temperatura ambiente,forma de manejo,finalidade para corte ou ovos e muitas mais.

Aliado a estes fatores deve-se levar em conta que as rações,sejam de fornecimento comercial ou produzidas na granja,indispensavelmente devem conter 13 aminoácidos assencias ao processamento de proteínas ( Arginina,Fenilalanina,Tirosina,Glicina,Histidina,Isoleucina,Leucina,Lisina,Metionina,Cistina,Treonina,Triptofano e Valina) , os quais devem ser adicionados na ração pois o organismo das aves não consegue sintetiza-los.Em rações produzidas na granja,especial atenção deve ser dirigida para o milho.Como praticamente única fonte de carotenóides (responsáveis pela coloração da pele e gema) contidos na ração,é importante considerar que estes carotenóides são de rápida oxidação dependendo das condições de armazenamento do cereal.Alem disso é imprescindível a inclusão de complementos vitamínicos e minerais nas quantidades exigidas para cada situação.

LINKS E ENDEREÇOS INTERESSANTES

Link

LINKS E ENDEREÇOS INTERESSANTES :

GENÉTICA:> Na pesquisa Google digite melhoramentoaves.pdf,ao abrir,baixe Melhoramento Genético de Aves- segundo módulo 2008-FCAV/UNESP

NUTRIÇÃO: Tabelas Brasileiras Aves e Suinos (mais completo documento disponível) > Acesse: www.aviculturarj.com.br/wp-content/uploads/2012/04/02-TABELAS-BRASILEIRAS-AVES-E-SUINOS-2011.pdf

ENTIDADES:

ASSOCIAÇÃO DA AVICULTURA ALTERNATIVA – AVAL : > Acesse : www.aval.org.br/

 

 

Andradas – MG: Nessa maravilhosa cidade produzimos o legítimo ovo caipira.

Andradas Bairro Tamanduá - Montanhas do Sul de Minas


Esta é mais uma bela imagem da cidade de Andradas, localizada no sul de Minas Gerais. É neste ambiente que produzimos o que há de melhor em se tratando do legítimo ovo caipira, disponibilizando um produto que segue todas as normas de qualidade vigentes além de proporcionaar ao cliente a possibilidade de rastrear o produto que adquiriu.